27.4.08

L is for lost virginity

Perdi a virgindade aos 18 anos. Até aí, fui aquilo que se pode chamar um bicho do mato, julgo que nunca tive alguém a quem pudesse chamar com propriedade "namorada".

O primeiro beijo que dei - ou que me deram, inclino-me mais para essa hipótese - foi-me roubado. Os segundos, mais intencionais, foram-me impostos numa confusão de carnes e roupas e noites escuras, um rosto anónimo de uma miúda depressiva, se calhar uma gótica avant la lettre, quem sabe em que tribo a classificar, talvez a das material girls, eu não o sei, uma miúda magrizela, prima da namorada do João que suponho me terá beijado por desfastio ou apenas porque sim, teria eu uns 15 anos.

Até aí (e depois daí) por largos anos, a masturbação era o escape possível, noites e noites a queimar as pestanas à luz da lâmpada incandescente de 20 watts do candeeiro rocócó da mesinha de cabeceira estrategicamente colocado por sob o estrado da cama, a ler o Sexus do Henry Miller ou a Histoire d' O, o sexo retesado e dobrado nas mãos, os dedos exploratórios, por vezes frenéticos, os jactos de esperma cuidadosamente direccionados para não deixarem vestígios em qualquer superfície que pudesse ser escrutinável perante o olhar falconídeo da minha mãe.

Por largos anos, o onanismo. Depois, como que num passe de mágica, como que num rodar do caleidoscópio, a realidade alterou-se. Hoje, contabilizando por alto, acho que terei fodido cerca de 70 mulheres. Brasileiras, holandeses, portuguesas do norte, do sul e das ilhas (madeirenses e açorianas), americanas, guineenses, são-tomenses, angolanas, francesas, espanholas, em todas cravei bandeira. Núbeis ou geriátricas, obesas ou escanzeladas, mais do que mulheres bonitas (que as tive) ou esculturais (que também conquistei), o que nelas mais me fascinou foi sua a variedade: de estilos, de idades, de postura, de mentalidade, de vivência, de aspecto, de morfologia. Advogadas, oficiais das forças de segurança e militarizadas, estudantes, professoras (do básico, liceais e universitárias), consultoras, desempregadas, jornalistas, secretárias, administrativas, artistas plásticas, terapeutas, médicas, é como vos digo: variedade. E, como qualquer homem, sabe, a variedade é o sal da tesão.

D is for dirty words

Um problema se coloca, desde logo: que linguagem utilizar?

A ginecológica, fria e científica, prenhe dos seus latinismos arcaicos, uma langue de bois que ora soletra clitóris, ora sussura vulva?

A familiar, delicodoce e infatilizante, com as suas pilinhas e pipocas, os seus balaus e as suas rachinhas?

A pseudo-literata com os seus amores manufacturados e os seus beijos timoratos ou ardentes?

Não me parece.... a única linguagem que o sexo admite, que a natureza da coisa permite, é a linguagem pura e dura do povo, o soar rispído da coisa tal como ela é, boçal e tasqueira, o baixo latim proscrito pela Igreja e pelos bons costumes, por todos conhecido e por muitos falado. A oralidade transcrita, em boa letra de forma e que se fodam os falsos pruridos.

I is for introitus

Quase quatro anos depois, que me traz de novo a este blogue?

A verdade. Uma verdade necessariamente anónima mas uma verdade que se quer revelada, não porque haja qualquer premência na sua revelação, mas sim porque um certo exibicionismo e uma eloquência que ferve cá dentro assim me obrigam.

Poderia falar de muitos assuntos, este blogue. De motociclismo, de política, de banalidades e trivialidades. Mas não. O assunto será só um: sexo. O meu, o dos outros, o do meu no dos outros. A verdade do sexo, digamos assim. Banal e trivial, ela também.