Ela tinha, na altura, 18 anos e era, sem tirar nem por - embora em formato morena profunda - a imagem cuspida da israelita Omer Goldman.
Eu teria uns trinta, trinta e um, e estava muito pouco à vontade dentro de um carro parqueado em público, tendo em conta que ela, nesse preciso momento, me estava a atacar a braguilha com os seus dedos longos, dedos de pianista, um ataque cirúrgico dirigido à erecção aperrada que se afadigava em retesar as paredes finas dos calções que trazia vestidos. Com um olho no burro e outro no cigano, não fosse andar alguém às amoras pelo parque de estacionamento adentro e, desfeita a compostura da braguilha, reclinei-me para melhor poder ver a forma como seria respondida a pergunta que se me coloca sempre que uma mulher me toma o sexo pela primeira vez: que fará a seguir?
Ficará com o assunto entre mãos e assobiará para o lado?
Deixa-lo-á de fora e prosseguirá com as explorações tácteis?
Descerá a cabeça e pô-lo-á na boca?
Fará o movimento suavemente ascendente e depois suavemente descendente que todas as mulheres, de todas as idades e nacionalidades conhecem instintivamente desde a noites dos tempos?
Observemos, então. Um segundo, dois segundos, três segundos.. ok, vai boquejá-lo, porreiro. Quatro segundos depois, a minha glande está na sua boca.
Surge, imediata, a segunda pergunta, consequência da resposta à primeira: darei pelos dentes dela? Cinco segundos decorridos, e a resposta à segunda pergunta é negativa.
Mas, de repente, aos sete segundos, quando tudo tinha ar de que se iria caminhar para o velho e confortável fellatio no carro as usual, eis que soam as campainhas de alarme.
Houston, we have a problem.
A serious, motherfucking, huge problem.
Incrédulo e com dores excruciantes, arregalo os olhos e observo bem a manobra que ameaça transformar-me, de galhardo exemplar de fina estampa masculina em retorcida amostra de anterior garbosa masculinidade.
E o que é que ela fazia, afinal? Simplesmente isto: apertava-me em cima, no nó do pau e, depois, sem aliviar a pressão, fazia descer a mão com força, à bruta, mas rodando o pulso enxacoco cerca de 270º, no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio. E não, não era tanto a força, aquilo que me fazia torcer de dor.
Era, justamente, a torsão.
Das duas, uma: ou esta tipa praticou a técnica da masturbação masculina num pau de porco ou então tem a mão arraçada de saca-rolhas e acha que a minha pobre haste é uma rolha a precisar de ser sacada do gargalo. Como chegámos até aqui?
Bom, descobri mais tarde que, para além de 4 ou 5 fodas acabrunhantes, a sua experiência prático-teórica era baseada numa prateleira de filmes pornográficos que ela consumia desalmadamente - e isto, que só por si deveria sempre constituir-se como um facto excitante de se saber sobre uma miúda que, não só era nova como era gira, é que estragou tudo.
Como já ficou dito mais abaixo, a pornografia comercial é a morte da naturalidade no sexo. Jovens impressionáveis, com pouca rodagem, acabam por achar que o sexo garamufo é assim mesmo, com gajos a darem-lhes grandes ranabas e que, quanto mais à bruta, melhor e que broches, é fazê-los como quem torce o pipo a pombos-da-rocha (mais tarde, verifiquei com desilusão que o broche fora prenúncio de uma foda tão má que nem contá-la aqui vale a pena).
Ora, aproveitando esta pequena tribuna, de onde peroro para os poucos que me seguem com maior ou menos atenção - sim, falo claramente de vocês, caros leitores e leitoras - aqui vos deixo um pequeno manual de como fazer do sexo oral uma experiência inesquecível e não um evento traumatizante para quem está no receiving end.
Bom, comecemos pelo exórdio, a descrição anatómica.
Um caralho, minhas senhoras e meus senhores, tem duas partes, a saber, uma funcional, a glande, e outra decorativa, o corpo peniano, a coluna, a haste, o pescoço, ou o que quer que lhe queiram chamar. Agora, para efeitos de fellatio (nome amaricado que se dá ao tão genuinamente lusitano broche) a haste só tem uma única função: a de servir de pega.
E porquê? Porque todos os terminais nervosos, todas as sinapses, todas as dendrites responsáveis pelo prazer e pela excitação estão num único local: na glande (a sensibilidade da haste é, muito provavelmente, igual à de um braço).
Definida que está a anatomia, passemos então ao modus operandi e aos erros mais comuns:
1) Agarrar a haste com força, com a mão toda, como se não houvesse amanhã - erro de principiante ou de pessoa insegura. Não é preciso agarrá-la com a mão toda, sob pena de a esmagar ou de a aleijar para a vida - bastam dois dedos, ao de leve, na zona de transição entre a glande e o corpo, só para o manter sob controlo, sem que se escape da boca;
2) Executar um vaivém frenético com a boca, para cima e para baixo, enquanto se planta a mão, fixa, no corpo - outro erro crasso que, não só conduz ao cansaço da ganacha da executante, como diminue o prazer do executado, podendo até causar alguns estragos às mucosas envolvidas. É preciso, neste caso, fazer exactamente o contrário: mover só a mão, apanicar a haste com os tais dois dedos acima ut supra e deixar a boca quieta, de preferência nunca envolvendo os dentes;
3) Não usar a língua. Se se parece com um gelado e se tem aspecto de gelado, se calhar não custa nada tratá-lo como se fosse um gelado. Uma língua perguntadeira e bailadeira opera maravilhas pelo Bem da Humanidade;
4) Esquecer o escroto. O escroto, amigas, é o melhor amigo do homem. Segundo apenas para a glande, mulher que domine bem um escroto domina esse homem para a vida, you mark my words;
5) Chupar e não engolir - é feio. Vai, não só contra as regras da Civilização as we know it como também viola vários artigos da Declaração Universal dos Direitos do Homem. Se fosse para se vir na atmosfera, a Natureza na sua infinita sabedoria, faria com que um caralho viesse com a respectiva arandela de nascença. O melhor do broche, amigas, é que ele é, basicamente, prazer portátil e condensado, instantaneamente usufruível, em praticamente qualquer local e altura - basta tirar o periscópio, estimular o animal e recolher o fruto do nosso ventre no vosso próprio ventre. Mas, para que isso aconteça, há que não dar uma de Mónica Lewinski e fazer as coisas como deve ser, para evitar escandaleiras e roupas, vestidos, assentos e demais parafernália cénica manchada com umas nódoas filhas da puta que custam a sair como o raio que as parta.
6) Bater à bruta e à francesa. Mostrem-me um homem que diz gostar de uma rapidinha brochal e eu mostrar-vos-ei, ou um rebarbado, ou um mentiroso. Um broche é como um peru no forno: do recheio até ao osso, deve durar pelo menos do Natal até ao Ano Novo. O broche, quanto mais lânguido e delambido, melhor.
7) Nunca, mas nunca, torcer ao pipo ao pau do homem com quem estão. Lembrem-se que o verbo torcer só rima com duas coisas: bico ao prego e pepino desde pequenino.

